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O TDMA já morreu!? Para alguns operadores e fabricantes de celulares, infelizmente, já!
terça-feira, 12 de dezembro de 2006, 08h32

por Jorge Augusto

O mercado de celular está mudando muito rápido, e isso obriga empresas e fabricantes a tomarem decisões cada vez mais rápidas. Está mais do que evidente, que a briga já está definida entre o CDMA e o GSM. Mas no meio dessa briga, quem está realmente perdendo é a tecnologia TDMA, e infelizmente, o consumidor também.

Apesar da tecnologia TDMA possuir sérias limitações técnicas (especialmente na questão de transferência de dados), ainda possui um grande valor agregado, para um determinado tipo de usuário.

Atualmente, estaria mais adequado dizer que os celulares também “falam”. E isso porque os celulares incorporaram tantas novas funções, que acabaram se tornando verdadeiras máquinas de fazer quase tudo. Mas, não vamos esquecer a principal (e mais importante) função do celular, que é simplesmente “falar”.

Entre as novas tecnologias, o grande foco recai sobre a intensa necessidade da transferência de dados e aplicações multimídia. Apesar desses recursos serem fantásticos, ainda existe uma esmagadora maioria de usuários celulares que utilizam os celulares da maneira tradicional, ou seja, apenas querem mobilidade para falar. Apesar do mercado de dados possuir um potencial de crescimento quase infinito, ele ainda é muito pequeno se comparado a atual realidade. Só para se ter uma idéia de o quanto esse mercado ainda é pequeno, a Telesp Celular Participações (uma das empresas que integra a Vivo, a maior operadora celular do Brasil), divulgou em seu último balanço, que a receita com dados, não chega nem a 5% das receitas totais da operadora.

E justamente por isso, parece que as empresas do setor, tanto as operadoras quanto os fabricantes, parecem ter disparado em uma corrida pela evolução tecnológica, deixando para trás, uma importante fatia de mercado.

Estabilidade e cobertura

Não há como negar, que entre todos os sistemas celulares disponíveis, nenhum oferece tanta cobertura ou facilidade para se falar no Brasil, como o TDMA. Um exemplo, é a disponibilidade do TDMA em todos os estados brasileiros. Em alguns casos, o TDMA chega a ser redundante, oferecido por operadoras de bandas A e B, num mesmo estado.

Em uma comparação entre a cobertura oferecida pelas operadoras GSM, e a cobertura oferecida pelas operadoras TDMA, a proporção não deve chegar nem a um quarto. Mesmo em comparação a tecnologia CDMA, a cobertura TDMA ainda é maior, em proporções nacionais.

Apesar das limitações do TDMA, essa tecnologia ainda atende a maior parte das necessidades dos usuários. Oferece identificação de chamada, atendimento simultâneo de ligação, envio e recebimento de mensagens de texto, indicação de caixa postal e possibilidade de conferência a três. Mesmo com a limitação da transferência de dados ser de apenas 9,6 Kbits por segundo, com tarifação por tempo de conexão (e não por volume de dados como nas novas tecnologias), ainda dá “pra quebrar um galho” em emergências. Até porque, no TDMA, sempre é possível transferir dados, independente da situação. Isso já não acontece em casos onde, uma operadora CDMA/AMPS, só oferece cobertura analógica.

Quase abandonado

Mesmo com todo esse potencial, o que se vê no mercado é o “quase” abandono da tecnologia TDMA. Alguns exemplos de operadores e fabricantes atestem isso. Apesar da Claro afirmar que continua trabalhando a oferta TDMA junto com a oferta GSM, na prática não é isso que se vê. Nas lojas da Claro, da cidade de São Paulo, enquanto existem equipamentos GSM aos montes, os de tecnologia TDMA ficam quase que jogados nas gavetas. Nas lojas da Vivo, onde a operadora possui operação com redes CDMA e TDMA simultâneas, a situação não é diferente. E a TIM, está indo pelo mesmo caminho nas regiões onde oferece o sistema TDMA e GSM simultâneo.

Atualmente, devem existir por volta de uns 14 modelos de equipamentos (de diferentes marcas), com a tecnologia TDMA, em fabricação. Entretanto, encontrar todos os modelos, em uma única loja, de uma operadora ofereça a opção do TDMA, é quase um milagre.

Se alguém perguntar ao operador o motivo disso, a resposta será: Os fabricantes não estão mais apostando na tecnologia. Se a pergunta for feita na mão contrária, a resposta será: As operadoras já não possuem tanto interesse no TDMA. E nesse jogo de empurra, o TDMA vai rapidamente definhando.

Prova de tudo isso é quase a ausência absoluta de lançamentos na tecnologia TDMA. A Nokia que sempre teve muita força no TDMA, diz que vai apenas manter os quatro modelos de celulares TDMA em linha. A Motorola, por sua vez, tinha a previsão de apresentar mais dois modelos até o final do ano, mas já prevê lançar apenas um modelo, que será o Motorola C340. Os demais fabricantes descartam a apresentação de novos aparelhos, sondo que alguns pretendem retirar produtos de linha.

É realmente uma pena que a morte do TDMA já esteja anunciada. Muitos clientes, atualmente 100% satisfeitos com o TDMA, são obrigados a mudar de tecnologia por falta de opção de novos aparelhos. E em alguns casos, o cliente fica menos satisfeito com outra tecnologia, principalmente pela falta de estabilidade ou cobertura, se comparada ao TDMA.

Todos sabemos que o progresso é inevitável e a tecnologia TDMA com suas limitações, um dia, ira desaparecer. Mas a grande pergunta é: Será que o TDMA não está sendo assassinado, em vez de ter uma morte natural? Na opinião deste colunista, o TDMA pode ter ainda uma sobre vida. E como prova disso, esse colunista, quando em viagens, sempre tem um celular TDMA à mão, como também um celular de outra tecnologia, de acordo com a região visitada. E até agora, o TDMA tem se mostrado a tecnologia mais confiável, nas mais variadas situações.


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