Celulares que explodem: verdade ou especulação!?
terça-feira, 12 de dezembro de 2006, 08h32 por Jorge Augusto Recentemente, voltaram as capas dos jornais as notícias sobre explosão de celulares. Mas o maior problema nesses casos, é a forma como a notícia é dada, sem qualquer preocupação em explicar aos usuários a condição em que o fato ocorreu, ou quais componentes externos interagiram com o acontecimento da suposta explosão. Para elucidar esse fato raro, de um aparelho eletrônico explodir, temos que destacar os motivos e os fatores que podem levar a essa situação. Em primeiro lugar, nenhum tipo de equipamento eletrônico pode explodir se não existirem componentes que possam reter ou interagir com uma quantidade considerável de energia. Ou seja, é necessário existir algo que funcione como uma “fonte de combustível” para a suposta explosão. Indo um pouco além da questão do celular, alguns equipamentos eletrônicos possuem componentes denominados capacitores, que tem como uma das funções, acumular energia para diversos fins. Tais componentes, podem até funcionar com uma espécie de pilha, armazenando energia. Mas como todo equipamento eletrônico, ele tem uma faixa de operação segura para operar. Quando uma tensão (também conhecida por voltagem, que é medida em volts) ou corrente (que é medido em ampéres) superiores a condição normal de operação do componente atravessam o mesmo, além do dano inevitável ao componente, a primeira coisa que vai acontecer, é esse dispositivo começar a esquentar demasiadamente. Nesse ponto, é o que temos como a situação necessária para um princípio de explosão. Aliás, a palavra certa nem seria “explosão”. Digamos que com a elevação da temperatura, todo material tende a se expandir, e quanto mais calor, mais expansão. No caso específico de um capacitor, que é um componente bastante fechado, essa expansão pode levar ao rompimento do seu invólucro externo. Aqui teremos então a primeira condição real de uma suposta explosão. Mas antes disso se transformar numa real condição de perigo, precisamos considerar uma série de fatores. Tais acontecimentos só ocorrem quando uma quantidade de energia muito maior, que a suportada pelo componente, atravessa o mesmo. Na prática, são pouquíssimas as situações onde isso pode acontecer. Um bom exemplo, seria ligar um equipamento 110 volts, numa tomada de 220 volts. Veja que a tensão, nesse caso dobra! E mesmo quando isso acontece, na grande maioria das vezes, o que ocorre é a queima e o derretimento dos componentes da fonte de alimentação desse equipamento. Quanto às explosões, elas até são possíveis, mas na verdade essas “explosões” limitam-se a pequenos estalos, decorrentes de componentes que se expandem e rompem os seus invólucros. Outros componentes, além do capacitor, podem sofrer essa expansão. Até mesmo resistores ou processadores quando aquecidos em demasia podem sofrer esses estalos, mas isso tudo está muito longe de uma explosão! Voltando aos celulares, a primeira coisa que temos que destacar é: o celular em si, não tem nenhum componente que possa sequer gerar um estalo considerável, mesmo quando submetido a tensões maiores que a indicada. O único suposto vilão dos problemas de “explosão”, é a bateria que acompanha o celular. E mesmo assim, não existem motivos consideráveis para preocupação. Tanto a tensão (voltagem), quanto a corrente (amperagem) que os aparelhos utilizam, em geral, são muito baixas. Dificilmente, um celular terá uma bateria que ultrapasse os 6 volts. Quanto a corrente, essa também não é elevada. Quando muito, produz uma corrente de 1000 mAh, ou seja, 1 ampére no período de uma hora. Na melhor das hipóteses, a potência máxima gerada por essa bateria, será algo próximo de míseros 6 Watts. Na prática, qualquer tipo de lâmpada, seja incandescente ou econômica (essas lâmpadas brancas com reator), gastam mais energia que isso. Até esse ponto, destacamos os fatores pelos quais o risco de explosão num celular e realmente insignificante. Mas fica a pergunta, mesmo assim isso poderia acontecer!? A melhor resposta seria, sim. Porém, o mais importante e fundamental, é observar os fatores que podem realmente levar a essa suposta explosão. Em condições normais de utilização do celular, podemos afirma que isso é praticamente impossível. É mais fácil ganhar na MEGA-SENA ou ser atingido por avião caindo do céu, do que um celular explodir em suas mãos. Mas o problema todo esta na questão de “condições normais de utilização do celular”. O que ocorre com freqüência, é a utilização indevida dos aparelhos. Por exemplo: Esquecer o celular dentro do carro, em cima do painel, com o carro totalmente fechado, sob um sol forte com uma temperatura ambiente na casa dos 28 graus, não é exatamente à condição normal de uso de um celular. Nessa situação, a temperatura dentro do carro, pode ultrapassar os 70 graus, causando danos consideráveis à estrutura da bateria do celular. Outro caso muito freqüente, é deixar o celular dentro de um banheiro, com um chuveiro produzindo uma quantidade absurda de vapor de água. Isso certamente danificará os contatos metálicos de qualquer componente eletrônico, reduzindo a sua eficiência. E igual a essas duas situações, existem dezenas de outras situações, onde o celular é utilizado de forma indevida. Quem já teve a curiosidade de ler os avisos de qualquer bateria, até mesmo a do celular, deve ter notado que: as baterias podem explodir se forem curto-circuitadas, expostas ao calor excessivo ou jogadas ao fogo. Bom, na maioria das vezes, os usuários não lêem nem o manual de operação básico do próprio aparelho celular! O que acaba ocorrendo é que o uso indevido das baterias, compromete sua estrutura interna, podendo inclusive provocar reações químicas de seus componentes e resultando em expansão de material. Mas uma bateria de marca, oficial, terá dispositivos de proteção e capacidade de resistir a um curto acidental, sem pegar fogo. Já as baterias falsificadas não são tão seguras. Claro que alguns usuários, acabam sendo tentados a utilizar as tais “baterias paralelas”, que chegam a ser 50% mais baratas que as originais. E são mais baratas mesmo, por não apresentarem componentes adicionais de segurança. Outro problema sério, mesmo quando a bateria é original, é a utilização de carregadores não certificados pelos fabricantes (isso inclui os carregadores para carro, vendidos em semáforos das grandes cidades). Tais dispositivos, podem gerar tensão ou corrente acima dá especificada pelo fabricante do celular. Isso certamente causará danos aos componentes, super-aquecimento dos dispositivos e até um curto-circuito. Dependendo do lugar onde o celular estiver sendo carregado (próximo a uma cama ou sofá), isso pode causar até um princípio de incêndio, ou até mesmo uma pequena explosão. Na prática, é possível afirmar que um celular usado de acordo com suas especificações, e acompanhado de baterias e carregadores originais JAMAIS explodirá! Claro que os casos noticiados pela imprensa, não devem ser mentira, porém o mais importante é saber quais as verdadeiras condições que levaram a essas pequenas explosões. Outro fator a se considerar: Hoje, temos mais de 80 milhões de celulares funcionando no Brasil. Se somarmos todos os casos de celulares que explodiram no Brasil no último ano, ainda sim não devemos passar de meia dúzia. E todos sabemos, que a maioria dos usuários faz um uso BASTANTE INDEVIDO do celular. Apenas esses últimos argumentos já são suficientes para provar que o os casos de explosões são bastante específicos e MUITO pouco explicados. Afinal, a notícia chocante parece ser muito mais importante que a explicação real do fato. O alarmismo em torno dos celulares é tão grande para as baterias quanto para os postos, que colocam avisos nos postos exigindo que se desligue o celular, por risco de explosão. Isso realmente depõe contra o conhecimento científico adquirido pela humanidade ao longo dos séculos. O melhor a fazer é tratar bem do seu equipamento celular, utilizando conforme as informações do fabricante, e utilizando acessórios sempre originais e se preocupar com coisas realmente perigosas como atravessar uma avenida movimentada de uma grande cidade, sem olhar antes.
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