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Wi-Fi x EV-DO, tecnologias concorrentes ou não!?
terça-feira, 12 de dezembro de 2006, 08h32

Por Jorge Augusto

Duas tecnologias completamente diferentes. Chega ser até difícil, achar características comuns nas duas propostas. Talvez, as poucas coisas em comum, sejam ambas não utilizarem fios e servirem para a transferência de dados. Vamos a um resumo de cada uma delas:
 
EV-DO: Evolution Data Only, que recentemente teve a sua sigla adaptada para Evolution Data Optmized. Também conhecido como CDMA 1xEV-DO. Este é um protocolo de dados que utiliza a transmissão de rádio em banda-larga. Definido como padrão de terceira geração para sistemas celulares (3G), é a evolução ao padrão CDMA baseado no protocolo IS-95. Este é o primeiro passo com uma portadora de 1,25 MHz, dedicada apenas para dados.

Na teoria, o EV-DO pode chegar a velocidades de 2,4 Mbits/s. Mas na prática, dificilmente obtém-se velocidades superiores à 900 Kbits/segundo. Atualmente, no Brasil, somente a operadora celular Vivo, oferece essa tecnologia comercialmente. Sua operação acontece na faixa de 800MHz junto com o serviço celular CDMA.

Como na telefonia celular, os problemas da tecnologia EV-DO, estão justamente no alcance do sinal. Áreas rurais e mais distantes dos centros urbanos, bem como interiores de prédios com paredes espessas, são locais onde o EV-DO, possivelmente, apresentará falhas. Entretanto, essa opção apresenta vantagens para usuários corporativos, que precisam do acesso enquanto se deslocam de um lugar para outro. A tecnologia se mostra eficiente para quem quer mobilidade dentro do perímetro urbano (ou área abrangida pelo EV-DO)
 
Wi-Fi: Também conhecido como Wireless ou Wi-fi (Wireless Fidelity) é o termo usado para transmissão de dados por rádio,  sua sigla é marca registrada pertencente à Wireless Ethernet Compatibility Alliance (WECA). Uma Wireless LAN (WLAN) é uma rede local sem fio padronizada pelo comitê IEEE 802.11, "Institute of Electrical and Electronics Engineers" dos Estados Unidos, grupo que lidera a padronização de redes locais (LANs) e Metropolitanas (MANs) em nível mundial.
Tais redes podem operar em ambientes internos (escritórios, residências, lojas, etc..) ou externos (lugares abertos, como interligações de prédios), e apresentam aplicações tanto residenciais quanto corporativas, sendo encontradas como substituição de cabos que formam uma LAN (Local Área Network). Nesses casos, as implementações das aplicações são de responsabilidade do usuário. Portanto, problemas com falta de segurança, interferências e queda na taxa de transmissão de dados, deverão ser administradas pelo próprio cliente que deverá encontrar uma faixa com menor intensidade de problemas, escolhendo canais (ou freqüências) com menor interferência.

Entretanto, nos últimos anos, as redes WLANs, oferecidas por operadoras e provedores especializados em locais públicos, passaram a fazer parte do mercado. A aplicação do WLAN em lugares públicos, passou a ser conhecida como PWLAN, e os pontos de acesso à Internet conhecidos como hotspots. Tais aplicações possuem como característica básica acesso a Internet em alta velocidade, com pequenas áreas de coberturas, ou seja, raios menores que 100 metros, limitando consideravelmente a mobilidade dos usuários.

O padrão conhecido como 802.11b, baseado no modelo Open Systems Interconection, opera na faixa de 2.4GHz, e permite taxas de dados até 11Mbit/s, mas com valores médios reais entre 4Mbit/s e 6Mbit/s, na transferência dos dados em ambientes internos, e taxas bem menores que 4Mbit/s, em ambientes externos. Atualmente, esse padrão Wi-Fi ainda representa mais da metade do mercado, e deverá permanecer assim por algum tempo nos computadores e PDAs de milhares de usuários. A quase totalidade das redes PWLAN encontradas no Brasil, utiliza o padrão 802.11b.
Outro padrão que também está presente, e com bom crescimento, também na freqüência de 2.4GHz, é o IEEE 802.11g, que alcança uma taxa de 54Mbit/s. Suas principais vantagens estão relacionadas com o aumento da eficiência espectral, minimização das interferências e baixa distorção.

Em geral, os equipamentos 802.11g possuem compatibilidade com os 802.11b, fornecendo possibilidades de "up-grade", numa rede já em operação. Os computadores com o novo padrão podem ser adicionados à rede sem a necessidade de troca das placas dos demais computadores, sendo possível trabalhar com PCs em 11Mbit/s e outros em 54Mbit/s. Vale lembrar que a velocidade de 54 Mbit/s só estará disponível entre pontos que suportem o padrão 802.11g.
 
Após a exemplificação de cada solução, parece difícil imaginar com uma tecnologia pode concorrer com a outra, uma vez que elas são complementares. Até nas características de vantagens e desvantagens, elas são bastante diferentes. Vejamos:
 
Implementação
 
No EV-DO, sua implementação é vertiginosamente mais cara que o Wi-Fi. Pra começar, é necessário implantar uma torre celular completa, para se disponibilizar o EV-DO. E isso sem contar a necessidade da rede elétrica e conexão lógica para a comunicação da torre com a rede física. Já o Wi-Fi, basta ter um Acess Point (ou ponto de acesso) e uma conexão de banda larga (ADSL ou cabo) para poder se oferecer à conexão Wi-Fi. Em um cenário um pouco mais elaborado, um pequeno servidor pode ser utilizado para realizar algum tipo de autenticação.
 
Cobertura e mobilidade
 
Outra diferença fundamental é a questão da cobertura e roaming entre os pontos de acesso. No EV-DO, uma ERB (Estação Rádio-Base ou Torre Celular) tem um alcance aproximado de 5 km. E a passagem do usuário de uma torre para a outra (processo conhecido por handoff), ocorre de forma transparente, sem queda da conexão. Isso acontece porque o EV-DO já foi concebido para funcionar assim. Como ele opera sobre uma rede celular, o princípio básico de operação é a ampla mobilidade.

Já o Wi-Fi tem um alcance extremamente limitado (100 metros). Imagine quantos pontos de acesso Wi-Fi, precisariam ser implementados, para cobrir uma região equivalente a uma única ERB EV-DO. Outro problema no Wi-Fi é a questão do roaming. Até é possível se criar um processo de passagem de um access point para outro, mas obrigatoriamente, todos os pontos de acesso precisam estar ligados a uma mesma estrutura de rede LAN. Entretanto, interligar diferentes pontos de acesso, em redes diferentes é bastante complexo. Nesse caso, é praticamente impossível fazer a passagem, com uma conexão ativa, de um ponto de acesso da rede A, para um ponto de acesso na rede B, sem a queda da conexão.
 
Velocidade
 
Outra questão muito importante é a diferença da velocidade. Apesar do EV-DO declarar uma velocidade teórica de 2,4 Mbit/s, no Brasil, dificilmente se obtém algo superior a 900 Kbit/s. Já o Wi-Fi, na pior das hipóteses, obtém-se velocidades superiores 4 Mbit/s. Com o padrão 802.11 g, consegue-se chegar a mais de 50 Mbit/s, sem fio.
 
Segurança
 
A questão da segurança também não pode ser esquecida. Aqui, inverte-se totalmente a condição em relação a velocidade. Enquanto o EV-DO é praticamente inviolável em tempo real, o Wi-Fi está sempre correndo atrás do prejuízo. Com o Wi-Fi totalmente aberto, é fácil interceptar os dados trafegados. Mesmo quando utilizado a criptografia WEP (Wired Equivalent Privacy), ainda é possível quebra-lá, e interceptar os dados. A base do método WEP é uma senha conhecida pelos participantes da rede, quer sejam máquinas clientes conectadas diretamente ou através de um concentrador (que também deverá ter conhecimento da senha). Apenas quando se utiliza o WPA (Wi-Fi Protected Access), consegue-se alguma segurança. Mas nesse caso, a perda de velocidade é considerável. O mesmo princípio de senha compartilhada é usado em operação do WPA, com a vantagem de usar mecanismos mais resistentes a ataques do que o seu antecessor WEP. Um outro modo de operação do WPA, e também do WPA2, exige uma infra-estrutura bem mais complexa, incluindo um servidor de autenticação, que pode ainda se reportar a outros servidores, como controladores de domínio, bancos de dados contendo a base de usuários, etc.
 
Custo
 
Um fator decisivo para caracterizar a diferença entre o EV-DO e o Wi-Fi, é o custo de cada tecnologia para a utilização. Enquanto o serviço Wi-Fi (para uso público) tem custo médio de R$ 50,00 por mês, com acesso ilimitado para tempo de conexão e volume de dados transferidos, o EV-DO é tarifado por volume de dados transferidos. Vale lembrar que o Wi-Fi possui diversos operadores públicos, como a Vex, o Speedy Wi-Fi, Claro, etc.

A única operadora que disponibiliza o EV-DO no Brasil, a Vivo, oferece o serviço através de um plano de dados, onde a assinatura custa R$ 199,80 por mês, e tem uma franquia de transferência de dados de 1GB. Cada megabyte adicional, tem custo de R$ 1,50. Além disso, o usuário também precisa contratar, e pagar, um plano de voz à parte para poder ter o plano de dados.
 
Conclusão
 
Não podemos confundir as aplicações das redes wireless para não criarmos idéias erradas de competição. A rede PWLAN atinge um nicho de mercado, sendo sua proposta relacionada com acesso à Internet ou Intranet, com segurança questionável, além de uma mobilidade restrita a área do hotspot, podendo girar em torno de 100 metros para a faixa de 2.4GHz. O grande atrativo do PWLAN é basicamente o preço baixo e a facilidade de implementação, pela não obrigatoriedade do uso de licenças.

A rede EV-DO tem uma proposta totalmente diferente do Wi-Fi, pois além dos serviços de acesso à Internet e Intranet, com uma área de cobertura de proporções bem maiores e ampla mobilidade externa, também oferecem serviços diferenciados relacionados aos terminais móveis e sua mobilidade. Algumas operadoras móveis (a exemplo da Claro), visando uma atuação mais forte junto aos usuários corporativos, combinam a oferta dos sistemas celulares e PWLAN (uma vez que é possível equipar laptops e PDAs com ambas as interfaces aéreas), para oferecer ao cliente uma gama de serviços mais completa. Essa solução ainda não integra efetivamente os dois sistemas, mas possibilita que o usuário, escolha a rede que pretende trabalhar, de acordo com a sua condição momentânea. Se for permanecer estático, numa área com cobertura Wi-Fi, é mais prático e barato utilizar o Wi-Fi. Porém, se a sua necessidade for acessar dados em movimento, é muito mais cômodo e estável, utilizar redes celulares, que no caso da Claro, oferece a opção do GPRS ou do EDGE.
 
Comentário
 
Infelizmente a operadora Vivo, tem uma visão bastante diferente de tudo que foi descrito até agora. Pra começar, a operadora não oferece nenhum dos seus smartphones com suporte ao Wi-Fi. Mas do que isso, a operadora praticamente proíbe qualquer fabricante de oferecer o serviço Wi-Fi, num hardware comercializado em seu portifólio.

Recentemente, no evento do dia do smartphone (promovido pela Intel), um executivo da Vivo, quando perguntado sobre a postura da Vivo a respeito do Wi-Fi, colocou de forma categórica, que o EV-DO atende plenamente as necessidades dos usuários, não existindo portanto a necessidade do Wi-Fi em seus produtos. Essa manifestação do executivo, que na verdade é uma diretriz da operadora, visa única e exclusivamente defender os interesses comerciais da empresa.

Porém, essa visão distorcida e unilateral da Vivo, pode ter um preço alto no médio prazo. Fazer de conta que a evolução tecnológica pode ser barrada pela imposição de regras, ou restrição de recursos, certamente é um erro de planejamento. Talvez o uso do Wi-Fi, gere alguma perda de receita, num primeiro momento. Porém, a aplicação EV-DO jamais poderá ser substituída quando o usuário necessitar de mobilidade externa.

Assim, a operadora deixa passar diante de seus olhos a oportunidade de oferecer uma gama maior de serviços e cativar o cliente pela oferta de variados serviços, respeitando o seu direito de escolha. Atualmente, a operadora prefere restringir ao máximo a opção de escolha do cliente, fazendo com que o mesmo pague até para enviar uma simples foto para um outro celular, uma vez que os aparelhos da Vivo possuem até o Bluetooth limitado.Vale lembrar que tal recurso é livre e gratuito nos celulares GSM. Curioso ainda, que na Espanha e em Portugal, as respectivas operadoras Telefônica e Portugal Telecom (que são as donas da Vivo) não limitam ou amputam os seus celulares e smartphones, de tecnologia GSM.

Por enquanto, a Vivo no Brasil, está se valendo do fato de ser a única opção realmente móvel, com alta velocidade. As redes EDGE, das operadoras GSM, dificilmente atingem velocidades superiores à 120Kbit/s. Mas com a chegada do UMTS, ou outra tecnologia mais veloz no GSM, o cenário mudará rapidamente.

Enquanto isso, várias operadoras GSM já estudam oferecer seus serviços junto com o Wi-Fi. Exemplos pra isso, temos diversos, com o Nokia 6136 e o Motorola A910, como também os produtos RSG da Motorola. Fica claro, portanto, que o interesse da Vivo é puramente comercial, uma vez que os ganhos com o EV-DO são mais eficientes, e assim a operadora não precisa competir com outros prestadores de serviço Wi-Fi.

De qualquer forma, a visão equivocada dos diretores da Vivo quanto ao Wi-Fi, é tão incoerente quanto dizer que: Um Porsche conversível se propõe a fazer a mesma coisa que um Jeep fora de estrada, com tração nas quatro rodas! Afinal, ambos veículos transportam passageiros de um lugar para o outro; e somente dois por vez!


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